As imobiliárias que atuam em Natal e Parnamirim deverão apresentar um crescimento de 114% nas vendas deste ano em relação a 2004 - o que representa um volume de R$ 300 milhões em lançamentos até dezembro.
A previsão otimista vem dos dados coletados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinducon/RN) com 16 construtoras.
Embalados pelo sucesso do ano passado - quando era estimado um faturamento de R$ 100 milhões que, no fim das contas, ficou em R$ 140 milhões -, os empresários apostam principalmente na obrigatoriedade dos bancos de investirem 65% do que é aplicado na poupança no mercado imobiliário.
‘‘É uma meta audaciosíssima’’, admite o presidente do Sinduscon, Sílvio Bezerra, considerando que as áreas visadas pelas construtoras, embora tenham demanda reprimida, têm mercados finitos. Mas ele diz que o bom desempenho do setor no ano passado fomentou a coragem das empresas em fazerem novos lançamentos: ‘‘Quem lançou e vendeu bem está repetindo a dose e quem não lançou não quer mais perder tempo’’, explica Bezerra. Ele ressalta, entretanto, que a absorção desta oferta pelo mercado só vai se confirmar ao longo do ano - o ponto de avaliação será junho, quando aproximadamente metade dos emprendimentos deverá estar vendida para manter as boas expectativas - e dependerá de vários fatores.
O principal deles é a participação dos bancos com financiamento de imóveis a taxas de juros baixas, forçada pela nova Lei de Patrimônio de Afetação (leia no Saiba Mais). Esta é a grande aposta das construtoras para aumentar consideravelmente o número de pessoas com acesso a um novo imóvel. Porém, como Bezerra comentou, nenhum dos lançamentos está ligado a bancos e ainda não há grande movimentação por parte destas instituições a fim de atrair clientes para esta modalidade. Bezerra diz que o risco assumido pelas construtoras mora na possibilidade dos bancos, mesmo sob pena de perder dinheiro, estarem planejando testar a rigidez do Governo Federal e não aplicarem todo o recurso que devem no setor imobiliário. ‘‘O governo tem que endurecer e manter sua posição’’, diz Bezerra.
Outras bases para sustentar o significativo incremento projetado pelo Sinduscon são as boas expectativas para o crescimento da economia brasileira - com aumento do poder aquisitivo devido à recuperação salarial e estabilização da taxa básica de juros (Selic). Os R$ 300 milhões previstos para este ano estão divididos em 2,5 mil apartamentos e lotes entre Natal e Parnamirim.